CNH vai mudar — e muita gente ainda nem sabe o que vem aí.
Nas últimas semanas, a frase ‘Fim da autoescola?’ tomou conta das redes e gerou um verdadeiro caos entre quem sonha em dirigir.
Agora, o Governo Federal recuou e decidiu manter as aulas práticas obrigatórias, mas as novas regras prometem revolucionar o processo de tirar a carteira — e o bolso de quem for tirar a CNH vai sentir a diferença.
O que muda na proposta
A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) confirmou que o texto que está em consulta pública será ajustado antes da votação no Contran (Conselho Nacional de Trânsito).
O ponto principal é a manutenção de um número mínimo de aulas práticas, que inicialmente seriam eliminadas por completo.
Segundo fontes da área técnica, a nova proposta deve exigir até cinco aulas práticas, bem abaixo das atuais 20 horas obrigatórias, além das 45 horas teóricas que ainda são exigidas hoje.
Na prática, o modelo ficaria assim:
- Curso teórico gratuito e on-line, oferecido em plataforma do governo;
- Aulas práticas obrigatórias reduzidas, entre 1 e 5 horas;
- Possibilidade de aulas com instrutores autônomos credenciados.
“Antes eram 45 horas teóricas e 20 práticas. Agora, o curso teórico será gratuito e on-line, e as aulas práticas devem ficar em até cinco horas, no máximo”, explicou uma fonte envolvida nas discussões.
Instrutor autônomo: o “personal de trânsito”
Um dos pontos mais polêmicos continua no texto: a criação do instrutor autônomo credenciado.
Esse profissional poderá dar aulas fora das autoescolas, inclusive com o carro do próprio aluno, desde que siga as regras de credenciamento.
A medida vem sendo chamada internamente de “libertação da categoria”, por permitir que instrutores trabalhem sem depender das autoescolas.
A proposta divide opiniões.
De um lado, o governo aposta que a concorrência vai reduzir o custo da CNH.
Do outro, representantes das autoescolas alertam para riscos de segurança, já que os carros usados pelos instrutores autônomos não precisarão ter duplo comando de freio.
>>> Programa do Governo dá CNH – Conheça a CNH Social aqui
Vitória parcial das autoescolas
Para o setor, o recuo do governo na eliminação total das aulas práticas foi uma vitória parcial.
As autoescolas vinham pressionando o Ministério dos Transportes e o Palácio do Planalto, alegando que a medida poderia colocar vidas em risco.
Fontes próximas às discussões afirmam, no entanto, que a maior resistência veio de especialistas em segurança viária, e não apenas de empresários do setor.
Ainda assim, as autoescolas seguem contra a figura do instrutor autônomo, considerada uma concorrência desleal.
Alguns sindicatos chegaram a organizar carreatas em várias cidades do país para pedir a manutenção do modelo atual.
CNH mais barata? Entenda o impacto no bolso
Mesmo com o recuo parcial, as mudanças prometem baratear a CNH em mais de 60%.
Com o curso teórico gratuito e on-line, somado à redução das aulas práticas, o custo total deve cair drasticamente.
Hoje, tirar a CNH pode custar de R$ 2 mil a R$ 3 mil, dependendo do estado.
Com as novas regras, o valor poderia ficar entre R$ 800 e R$ 1.000.
O que acontece agora
A proposta segue em consulta pública na plataforma Participa + Brasil e ainda passará por ajustes antes da votação no Contran.
Se for aprovada, as novas regras entram em vigor por meio de resolução, sem precisar passar pelo Congresso.
Conclusão
O governo voltou atrás na eliminação total das aulas práticas, mas a flexibilização segue no horizonte.
O modelo de curso teórico gratuito e on-line, somado à entrada dos instrutores autônomos, pode transformar o processo de tirar a CNH nos próximos anos.
Para quem sonha em dirigir, a carteira deve ficar mais barata — mas o debate sobre segurança e qualidade do ensino continua aberto.
